Pensando Bem nos Índios

No próximo ano, a geração de índios que vem vai ter uma ferramenta forte para reforçar sua história e criar um registro das suas tribos.  Sob a supervisão da Conservação Internacional e da Secretaria do Meio Ambiente do Pará, as aldeias nas terras Indígenas vão ser etnomapeados digitalmente.  As implicações culturais que estão embutidas nessa initiativa trazem perguntas profundas sobre a direção da interação entre as tradições antigas e sua sobrevivência.

Naturalmente, o assunto da integração fica delicado no contexto do Brasil.  A raiz pricipal da questão é deixar os índios sem contato ou integrar totalmente as sociedades com o resto do país.  Sem dúvida, as duas perspectivas têm sua justificativa.  Por um lado, seria melhor não se comunicar com os anciãos porque isso poderia ser percebido como um movimento agressivo; além disso, a interação poderia contaminar a sociedade com ideias nocivas, e resultaria na destruição da cultura.  Certamente, a conservação dessas sociededes pode acontecer só uma vez no máximo.  Entrementes, o outro lado não só considera essa interação como inevitável, mas também acha que seria útil para a expansão econômica no país.  Nos espaços proibidos existem muitas áreas repletas de recursos exportáveis.  Fica bem claro que o grupo de especialistas é qualificado para interagir com respeito e conhecimento.

Para mim, o mais interessante deste relatório é a maneira em que o etnomapeamento vai ocorrer.  De acordo o plano, cada aldeia vai receber um sistema de posicionamento global (GPS) para que os índios possam saber os limites da área da tribo.  Alguns índios eram nômades, mas modificaram o costume de mudar-se na década de 1940.  Se eles tivessem continuado a se mudar, poderia ser que nunca conhecêssemos sua existência. Esse será um projeto importante para as tribos, porque será uma ferramenta política caso outros grupos tentem tirar sua terra. 

A tecnologia continua sendo ainda mais importante no desevolvimento das culturas assim, mas é importante manter um limite no tipo e quantidade do equipamento.  Por exemplo, seria bom introduzir alguns equipamentos médicos para aliviar doenças que as pessoas podem ter.  Já que temos a capacidade de dar-lhes ajuda, devemos fazer assim.  Caso isso não seja feito, acho irresponsável dar outras coisas sem pensar, particularmente as que facilitam a comunicação com o exterior: rádios, televisão, e dispositivos de internet.  O conhecimento do mundo exterior deveria ser um direito, não uma obrigação. 

No final, temos que prestar atenção na forma como interagimos com as tribos nativas, assim como na maneira como o fazemos. O problema não é fácil de resolver, porque tem muitas perspectivas filosóficas válidas, mas, acima de tudo, é necessário manter respeito com relação às culturas e esperanças das tribos indígenas.